Arquivo para Julho, 2008

11
Jul
08

Do que me irrita.

Sou uma pessoa que, infelizmente pros outros, se irrita muito fácil. E com pequenas coisas. As vezes pequenininhas. Se eu for parar pra listar tudo o que me irrita, não sairíamos daqui nunca. Listar coisas me irrita. Mas se for ponderar, a minha irritação provém basicamente de uma única fonte: pessoas. E porque não dizer ‘seres‘, ou pra caber em toda minha educação suíssabando-de-filhos-da-puta‘. É incrível a capacidade que as pessoas tem de esgotar, esvair, secar a fonte da minha paciência. Elas cutucam, perguntam, dão opiniões não pedidas, argumentam sobre casos perdidos, falam alto, se intrometem na sua vida e acreditam que fazem parte dela, não sabem beber, não sabem falar, não sabem contar piadas, não sabem a hora de calar a boca, não sabem se integrar a um grupo, não sabem que não se liga pra ninguém às nove da manhã de um SÁBADO, não percebem que incomodam, ou que não têm a menor graça. E muitas vezes não percebem quão medíocres são, quão medíocres são os próprios comentários e ações e, porque não, pensamentos. Pedantes, desagradáveis, metidos, escalafobéticos. N-O-J-E-N-T-O-S. E ainda vem dizer que eu, EEEEEU, sou grossa? Me chama de grossa porque eu falo o que quase cem por cento das pessoas ao redor desse tipo de gente gostaria de falar.

Amigo, VAI TOMAR NO CU, ou, se não quiser grosseria, sugiro veementemente a Vossa Excelentíssima que procure receber contribuições inusitadas na cavidade retal.

Grossa sim, mas com muito glamour.

Forte Abraço.

07
Jul
08

Carta.

Não sei ao certo se essa carta é mesmo pra você, ou se ela é pra mim. E eu não sei ao certo tantas coisas que prefiro não pensar.

“Notei que você me faz falta. Pois é. Tempo é uma questão de ponto de vista. Já se foram dois meses e as vezes penso que de uma hora pra outra isso vai acabar. As vezes não penso em nada, ou as vezes me perco pensando em nós. ‘Nós’ … que coisa estranha de se dizer. Não somos nós, mas também não somos Eu e Você. Somos alguma coisa indefinida e, quem sabe, indefinível. Alguma coisa que me dá saudade no espacinho de tempo em que não estamos sendo. Hoje, voltando da sua casa, percebi que simplesmente não queria voltar. Sem esse papinho piegas de ‘quero passar a vida com você’, não chegamos, e não acredito que chegaremos a esse ponto crítico do que os outros – não nós – chamam de relacionamento. Mas não queria voltar. Podia continuar o dia inteiro deitada na sua cama, sentindo esse seu cheiro estranho de Marlboro que eu tanto gosto ou contando as pintinhas das suas costas, rindo das besteiras que você fala, brigando por um pedacinho de travesseiro e edredom. Queria continuar lá, sem falar, sem pensar, só sentindo o calor da sua barriga nas minhas costas e o peso da sua perna na minha. E, fugindo desse romantismo que não me cabe, e combina menos ainda com você, eu preciso dizer o quanto gosto da gente bebendo de cair, sem lembrar do que aconteceu, ou só lembrar de flashes vergonhosamente bizarros. Como eu gosto de te perguntar que merda aconteceu e você me olhar sem saber o que responder e dar aquela sua risada de porquinho. Preciso dizer como eu gosto quando você deita na minha perna pra ver filme, quando você me chama de todas aquelas baboseiras que a gente inventa de se chamar, quando você faz murrinha, fica de birra. E agora eu preciso dizer como me angustia não saber se amanhã tudo isso vai acontecer de novo. Como me angustia pensar que, ao menor vacilo, você pode me escapar por entre os dedos pra nunca mais voltar. Eu não sei ao certo o que é isso que eu tô sentindo e não sei ao certo se essa carta é mesmo pra você. Eu sei que notei que você me faz falta.”

e até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei